Es martes por la mañana y el Palexpo de Ginebra huele a café, pan y cables. En un pasillo, niños mexicanos y ucranianos trabajan con esmero para crear robots que se mueven con una agilidad sorprendente. En otro, una pantalla muestra en tiempo real cómo un algoritmo lee imágenes médicas, detectando señales tempranas de cáncer que al ojo humano serían imperceptibles. Más allá, una niña africana mira con asombro un mapa interactivo que ilumina, una a una, escuelas de un país latinoamericano que se conectarán por primera vez a internet.
É terça-feira de manhã e o Palexpo de Genebra tem cheiro de café, pão e cabos. Em um corredor, crianças mexicanas e ucranianas trabalham com afinco para criar robôs que se movem com uma agilidade surpreendente. Em outro, uma tela mostra em tempo real como um algoritmo lê imagens médicas, detectando sinais precoces de câncer que seriam imperceptíveis ao olho humano. Mais adiante, uma menina africana observa com espanto um mapa interativo que ilumina, uma a uma, escolas de um país latino-americano que se conectarão à internet pela primeira vez.
Han pasado dos días desde que se inauguró esta Semana Digital y ya es difícil sostener la vieja pregunta de si la inteligencia artificial "cambiará" el mundo. Aquí, en el corazón de la Ginebra multilateral, esa pregunta suena anticuada. La verdadera interrogante, la que el Secretario General de la ONU dejó clavada en el aire el lunes, es otra, y mucho más difícil: ¿cambiará el mundo para todos, o solo para algunos?
Já se passaram dois dias desde que essa Semana Digital foi inaugurada, e já é difícil sustentar a velha pergunta sobre se a inteligência artificial "mudará" o mundo. Aqui, no coração da Genebra multilateral, essa pergunta soa ultrapassada. A verdadeira questão, aquela que o Secretário-Geral da ONU deixou cravada no ar na segunda-feira, é outra, e bem mais difícil: ela vai mudar o mundo para todos, ou só para alguns?
El lunes, al inaugurar el Diálogo Global, António Guterres pronunció un discurso que ha marcado el pulso de estos días. Más allá de señalar una amenaza o recitar una oda al progreso, fue sobre todo, la defensa de una idea que de seguro marcará a esta y las próximas generaciones. Durante toda la historia de la humanidad, recordó el Secretario General, el conocimiento experto estuvo en manos de muy pocos, en muy pocos lugares, y a un precio demasiado alto.
Na segunda-feira, ao inaugurar o Diálogo Global, António Guterres fez um discurso que marcou o ritmo destes dias. Mais do que apontar uma ameaça ou recitar uma ode ao progresso, foi, sobretudo, a defesa de uma ideia que certamente marcará esta e as próximas gerações. Durante toda a história da humanidade, lembrou o Secretário-Geral, o conhecimento especializado esteve nas mãos de muito poucos, em muito poucos lugares, e a um preço alto demais.
La inteligencia artificial, dijo Guterres, podría romper ese patrón por primera vez. Usada bien y compartida ampliamente, tiene el poder de "comprimir décadas de desarrollo en años" y de convertirse en "el gran igualador del siglo XXI". Pero, y aquí estuvo el filo de su mensaje, nada de eso ocurrirá por defecto. La misma tecnología que puede igualar al mundo puede también concentrarlo como nunca antes: hoy la capacidad de cómputo, el talento y los datos están en manos de un puñado de empresas y países.
A inteligência artificial, disse Guterres, poderia romper esse padrão pela primeira vez. Usada bem e compartilhada amplamente, ela tem o poder de "comprimir décadas de desenvolvimento em anos" e de se tornar "o grande igualador do século XXI". Mas — e aqui esteve o fio da sua mensagem — nada disso vai acontecer por padrão. A mesma tecnologia que pode igualar o mundo pode também concentrá-lo como nunca antes: hoje, a capacidade de computação, o talento e os dados estão nas mãos de um punhado de empresas e países.